Acordo entre Mercosul e EFTA impulsionará exportações agrícolas brasileiras

Acordo entre Mercosul e EFTA impulsionará exportações agrícolas brasileiras

O Mercosul, bloco econômico integrado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, finalizou as negociações de um acordo de livre comércio com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. O compromisso, que vinha sendo discutido desde 2017, abre novas oportunidades para as exportações brasileiras, especialmente do setor agropecuário.

Com a aprovação deste acordo, quase todas as exportações agrícolas do Mercosul destinadas aos países do EFTA terão tarifa de importação zerada. Islândia e Liechtenstein, por exemplo, eliminarão por completo as tarifas para produtos agrícolas provenientes do bloco sul-americano. Já a Noruega permitirá entrada sem tributação para 99,8% das exportações, enquanto a Suíça alcançará 97,7%.

Benefícios para o agronegócio brasileiro

Com o novo acordo, produtos estratégicos para o Brasil ganham destaque e maior competitividade no mercado europeu. Entre as mercadorias beneficiadas estão carnes bovina, suína e de aves, além de milho, farelo de soja, melaço de cana, café torrado, álcool etílico, fumo, arroz, frutas frescas (como bananas, melões e uvas) e sucos de frutas. Além disso, há expectativas de acesso preferencial para itens com quotas de importação, ampliando as possibilidades para o agronegócio nacional.

O governo brasileiro ressalta que, em 2024, as exportações do Brasil para o EFTA representaram US$ 3,09 bilhões, ou 0,92% do total exportado pelo país. Um estudo preliminar do governo aponta que os 20 principais produtos com potencial de crescimento imediato no mercado do EFTA representam um mercado adicional de mais de US$ 2 bilhões para as empresas brasileiras.

Amplitude e impacto econômico

O EFTA é relevante não apenas pelo seu poder de compra, mas também por sua capacidade agregada. Os países do bloco concentram uma população total de 290 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado superior a US$ 4,3 trilhões. Esse cenário reforça o peso do acordo para estimular o comércio entre os blocos e aumentar a presença de produtos brasileiros na Europa.

Geraldo Alckmin, vice-presidente do Brasil e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), destacou a abrangência do tratado. “É um acordo muito extenso, cobrindo desde o comércio de bens e serviços até investimentos, propriedade intelectual e sustentabilidade. Ele trará mais previsibilidade e segurança jurídica para as relações comerciais”, afirmou Alckmin em nota.

Próximos passos

Embora as negociações tenham sido concluídas, o acordo ainda precisa ser assinado oficialmente. Atualmente, os textos estão em fase de revisão legal, com previsão de assinatura ainda em 2025. Uma vez firmado, o tratado será submetido aos respectivos processos de ratificação nos países integrantes.

Esse acordo é visto como um marco nas relações do Mercosul com economias desenvolvidas fora da União Europeia e expande a rede de parcerias comerciais do bloco. Para o agronegócio brasileiro, as perspectivas de crescimento são promissoras, com a possibilidade de consolidar sua posição em mercados europeus altamente exigentes e alcançar novos níveis de competitividade global.

Fonte: Agro Estadão