O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começará a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio, permitindo que parte das vantagens negociadas entre os blocos entre em vigor antes da conclusão de todas as etapas formais. A medida abre caminho para redução gradual de tarifas, amplia a previsibilidade nas relações comerciais e coloca o agronegócio brasileiro entre os setores com maior potencial de ganho nos próximos anos.
Para o Brasil, a entrada em vigor provisória do pacto representa avanço estratégico em direção a um dos maiores mercados do mundo. O acordo integra um espaço econômico de cerca de 700 milhões de pessoas e prevê redução ou eliminação tarifária para grande parte dos produtos comercializados entre os dois blocos, com parte desses cortes entrando em vigor imediatamente e outros sendo implementados de forma escalonada.
No caso brasileiro, o processo avançou em março, quando o Congresso Nacional promulgou o decreto legislativo que aprova o Acordo Provisório de Comércio, após a aprovação da matéria pelo Senado em 4 de março. A internalização do tratado foi tratada pelo Parlamento como uma das decisões mais relevantes para a inserção internacional do país nas últimas décadas.
As projeções econômicas reforçam a expectativa positiva em torno do pacto, especialmente no campo. Estudo do Ipea indica que os maiores ganhos de exportação do agronegócio brasileiro tendem a se concentrar em segmentos como carnes de suíno e aves, com alta estimada de 19,7%, e carne bovina, com avanço projetado de 5,1%. O levantamento também aponta expansão relevante em outros produtos alimentares, bebidas, açúcar e óleos vegetais ao longo do período analisado.
Mesmo com o início da aplicação provisória, os efeitos do acordo devem ser percebidos de forma gradual. A expectativa é que a abertura comercial fortaleça exportações, amplie oportunidades para o agro e outros setores da economia e consolide um ambiente mais estável para comércio e investimentos entre Mercosul e União Europeia.
Fonte: Agro Estadão.
