O mercado brasileiro de fundos de criptomoedas apresentou um comportamento de relativa estabilidade ao longo de 2025, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (5) pela gestora internacional CoinShares. Apesar de um saldo negativo nas captações, a valorização dos criptoativos ao longo do ano contribuiu para o crescimento do volume total de recursos sob gestão no país.
De acordo com o levantamento, investidores brasileiros retiraram, de forma líquida, cerca de US$ 1 milhão — o equivalente a R$ 5,42 milhões — de produtos negociados em bolsa lastreados em criptomoedas, conhecidos como ETPs (Exchange Traded Products). O movimento indica cautela por parte dos investidores locais, em contraste com o cenário observado em outros mercados.
Ainda assim, o avanço dos preços das principais criptomoedas ao longo de 2025 compensou as saídas de recursos. Como resultado, o total de ativos sob gestão (Assets under Management – AuM) em produtos cripto no Brasil alcançou aproximadamente US$ 1,38 bilhão ao final do período, refletindo um crescimento patrimonial mesmo diante do fluxo negativo.
Cenário global segue positivo
No panorama internacional, os fundos de criptomoedas mantiveram desempenho robusto. Segundo a CoinShares, as captações líquidas globais somaram US$ 47,15 bilhões em 2025. Embora o volume seja cerca de 12% inferior ao recorde registrado em 2024, quando o setor atraiu US$ 48,74 bilhões, o resultado confirma o interesse contínuo de investidores institucionais e de varejo em ativos digitais.
O relatório também indica que os maiores fluxos de entrada continuaram concentrados nos principais mercados financeiros, impulsionados pela maior clareza regulatória e pela ampliação da oferta de produtos financeiros ligados a criptoativos.
Mudança no perfil dos investimentos
Outro ponto de destaque do estudo foi a redução no ritmo de aportes em ETPs de bitcoin, embora esses fundos sigam liderando em volume de recursos. Ao mesmo tempo, produtos vinculados a outras criptomoedas passaram a ganhar espaço, com aumento do interesse por fundos lastreados em Ethereum, XRP e Solana, sinalizando uma maior diversificação das carteiras.
Para a CoinShares, o movimento reflete uma fase de maturação do mercado, em que investidores passam a buscar alternativas além do bitcoin, avaliando fundamentos tecnológicos e aplicações práticas de outros ativos digitais.
No caso do Brasil, o relatório sugere que o desempenho lateralizado ao longo de 2025 está ligado tanto à postura mais conservadora dos investidores quanto ao cenário macroeconômico e regulatório. Ainda assim, o crescimento do patrimônio sob gestão indica que o mercado nacional segue relevante no contexto global de investimentos em criptomoedas.
Fonte: Exame.
