China deve reduzir participação nos embarques de soja do Brasil em 2026, projeta Anec

China deve reduzir participação nos embarques de soja do Brasil em 2026, projeta Anec

A participação da China nas exportações brasileiras de soja deverá recuar para cerca de 70% em 2026, abaixo do patamar registrado em 2025, quando o país asiático respondeu por aproximadamente 80% dos embarques. A projeção é da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e reflete um cenário de reorganização do comércio internacional da commodity.

Segundo a entidade, a redução está associada à retomada gradual das compras chinesas de soja dos Estados Unidos, movimento impulsionado pelo acordo comercial firmado entre o governo chinês e o ex-presidente norte-americano Donald Trump. A expectativa é de que esse entendimento contribua para uma maior diversificação das origens do produto adquirido pela China.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira (8), a Anec aponta que Pequim deve importar cerca de 12 milhões de toneladas de soja norte-americana na atual temporada. Para os próximos anos, a estimativa é de aquisições anuais em torno de 25 milhões de toneladas ao longo de três safras consecutivas. De acordo com a associação, o aumento dessas compras tende a se manter até o início da janela de exportação brasileira, período em que a soja nacional passa a apresentar maior competitividade no mercado internacional.

Apesar disso, a entidade observa que parte dos contratos de soja dos Estados Unidos prevê entrega em períodos que coincidem com o início dos embarques brasileiros. Essa sobreposição pode pressionar os prêmios de exportação do produto nacional, especialmente nos primeiros meses da safra.

Ainda assim, a Anec avalia que o mercado global de soja permanece dinâmico e sujeito a ajustes ao longo do ano. A maior oferta mundial, aliada à competitividade logística e à qualidade da soja produzida no Brasil, tende a sustentar a posição do país entre os principais fornecedores globais.

Dentro desse cenário, a associação estima que a China continuará sendo o principal destino da soja brasileira, absorvendo ao menos 70% das exportações em 2026. Esse percentual corresponde a aproximadamente 77 milhões de toneladas, considerando a média recente de embarques do Brasil e a demanda do mercado chinês.

O resultado representa uma mudança em relação a 2025, ano considerado atípico, marcado por tensões geopolíticas e comerciais, quando o Brasil respondeu por cerca de 87 milhões de toneladas das importações chinesas de soja. Para 2026, a expectativa é de maior equilíbrio no comércio internacional da commodity, com uma distribuição mais uniforme entre os principais países exportadores.

Fonte: Agro Estadão