A colheita da safra brasileira de soja 2025/26 perdeu ritmo nas últimas semanas devido às condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras do país. Levantamento da consultoria AgRural aponta que, até a última quinta-feira (12), cerca de 21% da área cultivada havia sido colhida, avanço inferior ao observado no mesmo período do ano passado, quando o índice era de 24%.
O desempenho mais lento está relacionado principalmente às chuvas intensas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa. O aumento da umidade e a redução dos períodos de sol dificultaram a entrada de máquinas nas lavouras e contribuíram para o surgimento de problemas de qualidade dos grãos, sobretudo em áreas do norte do estado.
Segundo analistas do setor, o cenário pode se prolongar nas próximas semanas caso o volume de precipitações continue elevado, já que ainda há grande parte da safra a ser colhida em regiões de ciclo mais tardio.
Enquanto o Centro-Oeste enfrenta excesso de chuva, o Sul do país vive situação oposta. No Rio Grande do Sul, a combinação de estiagem e altas temperaturas preocupa produtores, que já começam a contabilizar perdas na produtividade. A expectativa é de que os impactos se intensifiquem caso as chuvas permaneçam irregulares na segunda metade de fevereiro.
Safrinha de milho também avança em ritmo moderado
O plantio da segunda safra de milho 2026, conhecida como safrinha, alcançou 31% da área prevista no Centro-Sul do Brasil, acima dos 22% registrados na semana anterior, mas ainda abaixo do ritmo observado no mesmo período do ano passado.
Mato Grosso lidera o avanço dos trabalhos, seguido pelo Paraná. Contudo, em parte dessas regiões e também em áreas de Mato Grosso do Sul, o calor excessivo e a baixa umidade do solo já causam preocupação entre agricultores, especialmente nas lavouras em fase inicial de germinação e desenvolvimento.
Já a colheita do milho verão 2025/26 também segue mais lenta em relação ao ciclo anterior. Até a última semana, 22% da área havia sido colhida no Centro-Sul, frente a 29% no mesmo período do ano passado. No Rio Grande do Sul, as áreas plantadas mais tardiamente são as mais afetadas pela falta de chuva.
O cenário reforça o impacto direto das condições climáticas sobre o desempenho das safras, influenciando tanto o ritmo das operações no campo quanto as perspectivas de produtividade das principais culturas agrícolas do país.
Fonte: Agro Estadão
