A intensificação do conflito no Oriente Médio voltou a impactar o mercado internacional de commodities e já começa a refletir no mercado brasileiro de café. Após um período de queda nas cotações registrado em fevereiro, os preços voltaram a apresentar recuperação nos primeiros dias de março.
De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, o indicador do café arábica encerrou a terça-feira (10) cotado a R$ 1.918,60 por saca de 60 quilos. Apesar de um leve recuo diário de 0,56%, o produto ainda acumula alta de 6,73% no mês.
Especialistas apontam que a valorização recente está associada a fatores externos que têm pressionado o comércio global. Entre eles estão o avanço do preço do petróleo e as incertezas logísticas causadas pelo agravamento da guerra no Oriente Médio, que afetam diretamente o transporte marítimo internacional.
Um dos pontos de maior preocupação é a situação do Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas do comércio marítimo mundial. O fechamento ou restrições na passagem de navios pela região têm provocado instabilidade no fluxo de mercadorias e influenciado o comportamento de diversas commodities nas bolsas internacionais.
Outro fator que tem contribuído para a sustentação dos preços é a valorização do dólar frente ao real, que tende a favorecer as exportações brasileiras e pressionar as cotações internas.
Mesmo com a recuperação recente, analistas seguem atentos às expectativas para a safra global de café. A previsão de uma produção recorde mundial para a safra 2026/27 havia pressionado os preços no mês anterior, cenário que ainda permanece no radar do mercado.
Fonte: Agro Estadão.
