Conflito no Oriente Médio pressiona mercado e provoca queda no preço do boi gordo

Conflito no Oriente Médio pressiona mercado e provoca queda no preço do boi gordo

O preço do boi gordo iniciou a semana em queda no mercado físico brasileiro, influenciado por fatores internos do setor pecuário e pelas incertezas provocadas pela escalada do conflito no Oriente Médio. O recuo foi observado em diversas praças pecuárias monitoradas no país.

De acordo com levantamento da consultoria Agrifatto, a desvalorização foi registrada na maioria das regiões produtoras. Em Minas Gerais, por exemplo, a arroba do boi gordo caiu cerca de 0,46%, sendo negociada em média a R$ 335,18.

Enquanto o mercado físico apresentou retração, o cenário foi diferente no mercado futuro. Na B3, os contratos apresentaram alta, com o vencimento para abril registrando valorização de 1,78%, sendo negociado a R$ 344 por arroba.

Segundo a analista da Agrifatto, Lygia Pimentel, a queda nas cotações está ligada a um conjunto de fatores. Um deles é o descompasso entre o preço da arroba e o valor da carne no mercado. Enquanto o preço do boi vinha subindo, o valor da carne bovina deixou de acompanhar o mesmo ritmo de alta, reduzindo a capacidade de repasse ao consumidor.

Outro fator que tem gerado preocupação no mercado é o avanço das tensões no Oriente Médio, que pode afetar rotas logísticas e gerar instabilidade no comércio internacional de carne.

Dados do setor indicam que cerca de 7% das exportações brasileiras de carne bovina têm como destino países da região, o que corresponde a aproximadamente 17 mil toneladas mensais, considerando a média embarcada em 2025.

Entidades do setor, porém, pedem cautela na avaliação dos impactos. O presidente da Comissão de Bovinocultura de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Cyro Penna, afirmou que parte das preocupações está ligada a especulações sobre possíveis bloqueios logísticos.

Segundo ele, a principal rota de exportação brasileira de carne bovina segue para a China, responsável por quase 50% dos embarques do país, utilizando trajetos marítimos que contornam a África pelo Cabo da Boa Esperança, sem necessidade de passar pelo estratégico Estreito de Ormuz.

Além da China, outros importantes compradores da carne bovina brasileira são os Estados Unidos, Chile e México, cujas rotas comerciais também não dependem da passagem pelo estreito.

De acordo com dados da CNA, as exportações brasileiras para o Oriente Médio representam 6,8% da receita e 6,5% do volume exportado em 2025. No entanto, quando considerados apenas países próximos ao Estreito de Ormuz, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, essa participação cai para menos de 4%.

Para Cyro Penna, embora conflitos internacionais gerem preocupação para a economia global, é necessário cuidado na análise das informações divulgadas, para evitar impactos negativos e desnecessários sobre a cadeia produtiva da carne bovina no Brasil, especialmente para os produtores rurais.

Fonte: Agro Estadão.