O Brasil está cada vez mais próximo de conquistar um dos mercados mais exigentes e lucrativos do planeta: o Japão. Segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, as negociações para abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira estão em fase final e devem ser concluídas até o final deste ano. A declaração foi feita durante viagem do ministro à Malásia nesta semana.
Após mais de 25 anos de negociações travadas, o processo avançou rapidamente nos últimos meses, principalmente após o Brasil receber, no início deste ano, o reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação — uma das principais exigências impostas pelo governo japonês para autorizar a importação.
“Estamos em um momento decisivo. Restam apenas alguns detalhes burocráticos para a conclusão do protocolo sanitário. Assim que esses pontos forem finalizados, o mercado estará oficialmente aberto”, afirmou Fávaro em entrevista à Bloomberg News.
A expectativa otimista é compartilhada também pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que vê na conclusão das negociações uma oportunidade de posicionar a carne brasileira em um dos mercados mais valorizados do mundo.
Mercado japonês é altamente exigente, mas lucrativo
O Japão se destaca por ser um país com alta renda e exigência máxima em termos de qualidade e segurança alimentar. No setor de carnes, ocupa uma posição de destaque enquanto consumidor estratégico, pagando valores bem acima da média global por produtos certificados e de alto padrão.
“Trata-se de um mercado muito lucrativo, mas que exige excelência em todas as etapas da produção, desde os cuidados sanitários até a rastreabilidade completa do produto”, comentou Fávaro, destacando a importância da conquista para o agronegócio brasileiro.
A entrada no mercado japonês é vista como uma oportunidade única de diversificação, diminuindo a dependência de compradores tradicionais, como China e Hong Kong, e abrindo caminho para novas parcerias em outros países da Ásia, que compartilham padrões semelhantes de consumo exigente.
Região Sul lidera as negociações
As tratativas entre Brasil e Japão ganharam força após a visita de uma comitiva de especialistas japoneses ao território brasileiro há cerca de quatro meses. Na ocasião, as inspeções foram realizadas em estados da Região Sul, como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que já possuíam o status de área livre de febre aftosa sem vacinação antes do reconhecimento nacional.
Essa inspeção gerou especulações no setor agropecuário de que os estados da Região Sul poderão ser os primeiros autorizados a exportar carne bovina para o Japão. O temor de exclusão ou atraso para outras regiões do país, no entanto, é amenizado pela evolução da análise técnica do conjunto nacional, que segue em negociação direta entre os dois países.
Empenho político e avanço nas negociações
Além do trabalho técnico, o avanço no diálogo entre Brasil e Japão foi impulsionado por esforços diplomáticos de alto nível. Durante visita oficial ao Japão, em março deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negociou pessoalmente a abertura do mercado japonês em encontro com autoridades locais, reforçando o interesse estratégico brasileiro em avançar nesse mercado.
“Algo que parecia inatingível há 25 anos agora está próximo de se concretizar. É um marco para o Brasil, que ganha ainda mais reconhecimento internacional pela qualidade de sua produção pecuária e pelos avanços na área de sanidade e rastreabilidade animal”, destacou o ministro Fávaro.
Protocolo sanitário em fase final
Atualmente, as negociações estão centradas na conclusão dos ajustes finais do protocolo sanitário que regulará as exportações de carne bovina para o Japão. A expectativa do governo brasileiro e de representantes do setor pecuário é que todos os trâmites sejam encerrados ainda em 2025, permitindo o início das exportações logo em seguida.
A abertura do mercado japonês promete trazer ganhos significativos à receita de exportação do Brasil e consolidar ainda mais a pecuária nacional no cenário global. O setor, que já é líder em exportações mundiais de carne bovina, agora busca atender mercados que valorizam produtos certificados, sustentáveis e de alta qualidade.
Se concretizada, a exportação para o Japão significará não apenas a conquista de um novo mercado, mas a validação da excelência da carne brasileira, colocando o país entre os principais fornecedores de proteína bovina para o mercado asiático.
Fonte: Agro Estadão
