Ministério da Agricultura agenda seis missões internacionais para impulsionar exportações no início de 2026

Ministério da Agricultura agenda seis missões internacionais para impulsionar exportações no início de 2026

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deve iniciar 2026 com uma agenda internacional intensa. Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, ao menos seis missões oficiais ao exterior já estão programadas para os dois primeiros meses do ano, com visitas previstas à Europa, Ásia, Oriente Médio e América Latina. A expectativa do governo é dar continuidade ao crescimento das exportações agropecuárias e fortalecer a posição do Brasil como fornecedor global de alimentos.

Entre os destinos confirmados estão Bruxelas, na Bélgica, e Seul, na Coreia do Sul, além de Berlim, na Alemanha, e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em janeiro. Em fevereiro, estão previstas viagens ao Equador, à Índia e à Coreia do Sul, estas duas últimas com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As informações foram dadas por Rua em entrevista ao Agro Estadão.

De acordo com o secretário, as missões terão objetivos distintos. Nem todas estarão focadas na abertura de novos mercados, mas também na resolução de entraves técnicos, no fortalecimento de parcerias já existentes e na promoção comercial dos produtos brasileiros. “Algumas visitas servem para ajustes técnicos, outras para promoção, como a participação em feiras internacionais, e outras para avançar em negociações que já estão em andamento”, explicou.

União Europeia e ajustes técnicos

Na União Europeia, a agenda deve priorizar a consolidação e o aprimoramento de mercados já abertos. Um dos temas centrais é o avanço de questões técnicas relacionadas à exportação de carne bovina, como o processo de pré-listagem de frigoríficos brasileiros. O acordo entre Mercosul e União Europeia pode ser mencionado nas conversas, mas, segundo Rua, o tema envolve negociações em âmbito mais amplo do governo brasileiro e do bloco sul-americano.

Ásia no foco das negociações

A missão à Índia é apontada como uma das mais estratégicas. Além da presença do presidente Lula e de representantes do setor empresarial, o governo brasileiro espera avançar na abertura do mercado indiano para o feijão guandu, produto com potencial de ampliar significativamente as exportações. Também está prevista a formalização de uma cooperação na área de genética da raça bovina Gir.

Na Coreia do Sul, o objetivo é retomar negociações que avançaram pouco nos últimos anos. A presença do presidente brasileiro é vista como um fator decisivo para destravar as conversas. Entre as pautas do setor agropecuário estão a ampliação do reconhecimento de áreas brasileiras livres de febre aftosa sem vacinação — o que beneficiaria a carne suína, hoje exportada apenas por Santa Catarina —, além da possível abertura dos mercados de carne bovina e de uvas.

Exportações em alta

Para 2026, a expectativa do Mapa é de continuidade no crescimento das exportações do agronegócio. Segundo dados do ministério, até novembro, a receita com vendas externas do setor somou US$ 155,25 bilhões, valor 1,7% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Para Luis Rua, o desempenho reflete um conjunto de atributos que torna o Brasil um fornecedor diferenciado no mercado internacional.

“O Brasil reúne qualidade, escala, sanidade, sustentabilidade e competitividade. Essa combinação nos coloca como um provedor confiável para diversos países”, afirmou o secretário. Ele também destacou que o preço competitivo dos produtos brasileiros segue como um fator decisivo na disputa por mercados.

Novas aberturas e prioridades

Desde 2023, o Brasil já obteve acesso a 525 novos mercados internacionais para produtos agropecuários. Para 2026, a meta é superar os resultados recentes. Em 2024, foram abertas 222 oportunidades comerciais, número que subiu para 225 em 2025. “A expectativa é fazer ainda mais no próximo ano”, disse Rua.

Além das viagens internacionais, a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa também avalia demandas enviadas por entidades do setor produtivo no fim de 2025. As solicitações, segundo o secretário, servirão de base para definir prioridades e orientar a agenda de missões e negociações ao longo de 2026.

Com a estratégia de ampliar presença internacional, ajustar acordos existentes e abrir novos mercados, o governo aposta que o agronegócio seguirá como um dos principais motores da economia brasileira no próximo ano.

Fonte: Agro Estadão