Petróleo e gás disparam após escalada militar envolvendo Irã; mercados globais reagem

Petróleo e gás disparam após escalada militar envolvendo Irã; mercados globais reagem

A intensificação do conflito no Oriente Médio provocou forte turbulência nos mercados internacionais nesta segunda-feira (2). Após ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel contra o Irã, seguidos de retaliações iranianas, os preços do petróleo e do gás natural registraram altas expressivas, enquanto Bolsas de valores ao redor do mundo operaram em queda.

O barril do petróleo tipo Brent, referência global, chegou a subir quase 14% nas primeiras horas de negociação. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou cerca de 12% na abertura dos mercados. Ao longo da manhã, os contratos futuros mantinham valorização próxima de dois dígitos.

A escalada militar aumentou as preocupações com a segurança do Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde transita aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no planeta. Qualquer ameaça à navegação na região impacta diretamente a oferta global de energia e eleva o chamado “prêmio de risco geopolítico” nos preços.

Gás natural também sobe

Na Europa, o preço do gás natural disparou mais de 20%. O mercado teme interrupções nas exportações de gás natural liquefeito (GNL) provenientes do Golfo, especialmente do Catar, um dos principais fornecedores mundiais. Apesar da alta, as cotações ainda permanecem abaixo dos picos registrados durante o inverno europeu.

O aumento nos preços da energia reacende o alerta para possíveis pressões inflacionárias, sobretudo em economias que dependem fortemente da importação de combustíveis.

Bolsas em queda e impacto no setor aéreo

A reação negativa foi generalizada nos mercados acionários. Na Ásia, Tóquio e Hong Kong encerraram o dia em baixa, enquanto na Europa as principais praças financeiras abriram no vermelho, refletindo a aversão ao risco por parte dos investidores.

O setor mais penalizado foi o de aviação e turismo, tradicionalmente sensível à alta do petróleo, que encarece o combustível das aeronaves. Companhias aéreas registraram perdas significativas nas primeiras horas de negociação. Em contrapartida, empresas do setor de energia avançaram com força, impulsionadas pela valorização do petróleo.

Risco de barril a US$ 100

Especialistas avaliam que, caso haja bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz ou ataques diretos a instalações petrolíferas da região, o preço do barril pode ultrapassar a marca dos 100 dólares. A última vez que esse patamar foi atingido ocorreu no início da guerra na Ucrânia, quando os preços de energia dispararam e contribuíram para um ciclo inflacionário global.

Embora países membros da OCDE mantenham reservas estratégicas equivalentes a cerca de 90 dias de consumo, o mercado segue atento à possibilidade de descontinuidade no fornecimento.

Ouro e dólar em alta

Em momentos de instabilidade geopolítica, investidores tendem a buscar ativos considerados mais seguros. O ouro registrou valorização próxima de 2%, enquanto o dólar também se fortaleceu frente a outras moedas.

Analistas financeiros destacam que a evolução do conflito será determinante para o comportamento dos mercados nos próximos dias. Caso a tensão se prolongue ou se amplie para outros países da região, a volatilidade pode se intensificar, com reflexos diretos sobre inflação, crescimento econômico e cadeias globais de energia.

Fonte: G1