O período da Semana Santa reforça uma das tradições mais marcantes do Pará: o consumo de pescado. Mais do que um hábito religioso, a preferência pelo peixe nesta época do ano movimenta toda a cadeia produtiva e evidencia a importância econômica do setor para o estado.
De acordo com o Boletim Agropecuário Paraense 2025, elaborado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas, a produção aquícola paraense vem crescendo de forma consistente. Em 2023, o estado alcançou cerca de 16,3 mil toneladas de pescado, com uma taxa média anual de expansão de 14,6% ao longo da última década — índice superior ao registrado nacionalmente.
Esse avanço é fundamental para atender à demanda elevada durante o período religioso, quando muitos consumidores substituem a carne vermelha pelo peixe, especialmente na Sexta-Feira Santa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o consumo médio anual de pescado no estado é de aproximadamente 11 quilos por pessoa, podendo crescer até 30% durante a Semana Santa.
Além da produção, a estrutura comercial também sustenta esse crescimento. Em 2024, o Pará contabilizou 391 estabelecimentos formais ligados à cadeia do pescado, sendo a maior parte voltada ao comércio. A capital, Belém, concentra mais de 35% desses empreendimentos, consolidando-se como principal polo de distribuição e abastecimento.
Tambaqui lidera produção e garante oferta
Entre as espécies produzidas, o tambaqui se destaca como protagonista da aquicultura paraense. O peixe responde por 59,4% da produção estadual, com cerca de 9,9 mil toneladas registradas em 2023.
Outras espécies, como tambacu, tambatinga e tilápia, também contribuem para diversificar a oferta, ampliando as opções disponíveis ao consumidor e fortalecendo o mercado interno.
Municípios como Paragominas, Marabá e Altamira se destacam como importantes polos de produção aquícola, garantindo o abastecimento mesmo em períodos de maior demanda.
Tradição, economia e desenvolvimento
No Pará, o consumo de peixe é parte da identidade cultural e alimentar da população. Durante a Semana Santa, esse hábito se intensifica e gera impacto direto na economia, beneficiando produtores, comerciantes e comunidades ribeirinhas.
Para especialistas, os dados reforçam a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura e no fortalecimento da cadeia produtiva, considerada estratégica para o desenvolvimento regional.
Com produção em expansão e forte tradição de consumo, o Pará se consolida como um dos principais polos pesqueiros do país. Nesse cenário, a Semana Santa vai além do significado religioso e se firma como um período-chave para a economia e a valorização do pescado na mesa dos paraenses.
Fonte: Agência Pará
