Soja e milho caem em Chicago após USDA revisar para cima estimativas de produção

Soja e milho caem em Chicago após USDA revisar para cima estimativas de produção

Os mercados de soja e milho fecharam em baixa nesta segunda-feira (12) na Bolsa de Chicago, pressionados pelo novo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). As revisões trouxeram projeções mais elevadas de produção, tanto nos Estados Unidos quanto no cenário global, reforçando a percepção de maior disponibilidade de grãos nas próximas safras.

No mercado da soja, os contratos registraram perdas expressivas. O vencimento março/26 recuou 1,27%, encerrando o dia cotado a US$ 10,49 por bushel, enquanto o contrato maio/26 caiu 1,19%, para US$ 10,61 por bushel. Entre os derivados, o farelo de soja acompanhou o movimento negativo, com baixa de 1,78%, enquanto o óleo de soja destoou e avançou 1,17%.

Segundo analistas, a reação do mercado refletiu principalmente a elevação da estimativa de produção norte-americana para a safra 2025/2026. O USDA revisou o volume de 115,75 milhões para 115,99 milhões de toneladas, contrariando as expectativas do mercado, que apontavam para um leve ajuste negativo. Ao mesmo tempo, o órgão reduziu a projeção de exportações dos Estados Unidos, de 44,50 milhões para 42,86 milhões de toneladas, sinalizando uma demanda externa mais fraca.

Outro fator de pressão foi o aumento dos estoques finais norte-americanos, agora estimados em 9,52 milhões de toneladas para 2025/26, ante 7,89 milhões no relatório anterior. Esse conjunto de dados reforçou o viés baixista das cotações.

Safra brasileira maior pesa sobre o mercado

No cenário internacional, o USDA elevou de forma significativa a estimativa da safra brasileira de soja em 2025/2026, de 175 milhões para 178 milhões de toneladas. O volume supera com folga a produção da temporada anterior, estimada em 171,5 milhões de toneladas, e contribuiu para a leitura de maior oferta global da oleaginosa.

Apesar disso, as perdas em Chicago foram parcialmente limitadas pelos dados de embarques semanais dos Estados Unidos. Na semana encerrada em 8 de janeiro, o país exportou cerca de 1,5 milhão de toneladas de soja, número acima do intervalo esperado pelo mercado, que variava entre 800 mil e 1,275 milhão de toneladas.

Na Argentina, o USDA manteve inalteradas as projeções de produção, com 51,11 milhões de toneladas para a safra 2024/2025 e 48,5 milhões de toneladas para 2025/2026.

Em termos globais, os estoques mundiais de soja devem subir de 123,40 milhões de toneladas ao final de 2024/25 para 124,41 milhões de toneladas em 2025/26. Já a produção mundial foi revisada para 425,68 milhões de toneladas no novo ciclo, abaixo da safra anterior, mas acima da estimativa divulgada em dezembro.

Milho também recua com aumento de oferta

O mercado de milho seguiu a mesma tendência. O USDA elevou a estimativa de produção dos Estados Unidos em 2025/2026 de 425,53 milhões para 432,34 milhões de toneladas, volume bem superior ao da safra 2024/25. As exportações norte-americanas foram mantidas em 81,28 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais subiram de 51,53 milhões para 56,56 milhões de toneladas.

No cenário global, a produção de milho deve crescer de 1,230 bilhão de toneladas em 2024/25 para 1,296 bilhão de toneladas em 2025/26, com estoques mundiais estimados em 290,91 milhões de toneladas ao final do ciclo.

Para o Brasil, o USDA manteve a projeção da safra 2024/25 em 136 milhões de toneladas e da safra 2025/26 em 131 milhões. Na Argentina, as estimativas seguem em 50 milhões e 53 milhões de toneladas, respectivamente.

No mercado interno, os contratos de milho negociados na B3 também fecharam em queda. O vencimento março recuou 0,95%, para R$ 72,20 por saca, enquanto o contrato maio caiu 1,11%, cotado a R$ 71,55. De acordo com analistas, a pressão vinda de Chicago foi parcialmente compensada pela valorização do real, que melhora a competitividade do milho brasileiro no mercado externo.

O relatório do USDA reforçou, assim, a leitura de um cenário de oferta mais confortável para soja e milho, fator que segue limitando reações mais firmes dos preços no curto prazo.

Fonte: Agro Estadão